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Vida finda

São tantos caminhos e ruas  Que precisaria viver mil  Pra sentir na plenitude uma Precisaria passar tantas vezes Pra acertar o que errei Corrigir onde falhei  E olhar, principalmente, onde não olhei Precisaria de uma vida eterna, talvez Pra repetir até acertar Pra me sentir livre e errar Pra tentar outra vez Precisaria não ter validade  Pra validar minha vida Precisaria ter vidas infindas  Pra estar no sempre ainda Desejo o hoje O ontem E o amanhã  Desejo o calor, o frio, a sunga e o cobertor de lã  Preciso do muito Porque o pouco não me basta  Preciso de mais tempo, de mais vida  Apenas uma, jamais gasta  Preciso de mais ar Quero ter mais chances de errar  E, ao acertar  Um tanto mais desfrutar Mas, a vida passa  Não seguro a noite, quanto mais a madrugada  Curioso, Ser Vivemos Mas não podemos parar pra viver Gustavo Afonso 

Sobre

Há limite para a sede? Há de cultivar o bastante, mas para a alma? Somente asas para sonhos? Somente cometas para voos universais? Há demasia de estrelas para o infinito? Há exagero no que transborda? Há muita água no rio que invade o oceano, se transforma, se mistura? Que mistério há em duas vidas que se tornam uma?  Há pecado no profundo mergulho?  Há loucura no desejo de se afogar de ar e respirar o mar? Há insanidade na mais brilhante fantasia? Há amor demais que clareia a noite e estrela o dia? Para a falta, para o muito e para o todo,  o que define, incendeia e redime  é a simples imensidão que há.  É a poesia.  É ela que me corrói, me constrói e constitui.  Que me afasta e me seduz.  É nela que por vezes passo e é nela que como corpo quero morar.  Vagar sem rumo, parar no tempo, passar e viver. E como espírito, é na poesia, de palavras escritas, gritadas, não lidas e não ditas,  que desejo transcender. Gustavo Afonso