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A rima da poesia

E muito se engana Quem ainda imagina Que a alma da poesia Consiste na tal rima Rimando na rima Brincando na escrita Que rima a poesia E poetiza a minha rima A alma da poesia É tudo e um pouco mais Sentimento que extravia Quanto se sente até demais E na rima da minha poesia Mente rima com coração Verdade rima com mentira Inexplicável com razão Gustavo Afonso

Sentirá

Sentirá saudade Do nervosismo do teu lado Da ausência de palavras Do meu peito então fechado Intimidado junto a você Por encanto e admiração Dosava o que dizer Temendo não ter tua paixão E se mesmo houve paixão Ou seja lá o que sentiu Garanto que em teu coração Sentirá que alguém partiu Por maior insignificância Uma mera companhia Em tua arrogância Sentirá a falta minha Lembrará dos elogios Dos carinhos que te fiz A menina que despertei Lembrará muito de mim E de tantas lembranças Lembrará que não lembro mais Perderá a esperança De que eu olhe para trás Em estrada nova São muitos os caminhos E a dor do sentimento Amanhecerá com os passarinhos Gustavo Afonso

Rodamoinho

Fazia tempo que não visitava o passado Daquele tempo encarregado de esquecer Fazia tempo que não derramava lágrimas E tempo mais que não queria viver Em outro tempo, de dor e de amor Marcava e moldava o tal ser Chorava ignorando o futuro Por presente que teimava em doer E depois da estrada de lições Em agonia o passado revisita Ignorando o coração calejado Abrindo dolorida nova ferida E do olhar que não mais choraria Uma nova lágrima escorreu Das lembranças que o peito vivia Lembranças que o presente reacendeu E sem saber mais separar Ontem, hoje ou amanhã A alma teimou em sangrar Embalada em mente pouco sã De promessa já rompida De não chorar o amor chorado Chorou doído, chorou dobrado A jura quebrada de um coração marcado Gustavo Afonso

O sentimento é de vergonha

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Pela primeira vez na vida, estou com vergonha de ser tricolor. Os torcedores que vimos hoje, comemorando como um título na porta do STJD, são o reflexo da arrogância e da mediocridade. Arrogância de uma torcida que enche os pulmões para bradar os poderes de bastidores de seu clube, quando dentro de campo falha sua força e apanha. Arrogância de uma torcida que acha grande o discurso todo poderoso de seu patrocinador. Arrogância de uma torcida que acha que os outros caem, como em todos os anos, com irregularidades mil, o Fluminense não. Mas também mediocridade de uma torcida que precisa apelar ao extra campo quando seu time é rebaixado vergonhosamente dentro das 4 linhas. O Fluminense que eu aprendi a amar não é arrogante, é grande por si só, por sua história. O Fluminense que eu aprendi a amar não é medíocre, é gigante, mas dentro de campo. A minha vergonha com certeza é extensiva a quem comanda o clube. O Fluminense tinha a oportunidade de livrar-se de vez da alcunha imoral q...

Caminhada

Cada peça pregada Cada ilusão inventada Cada dor de aparência apagada Relembrada e maltratada Cada alegria humilhada Rebatida e inacabada De frustração magoada De trilha torta e ilhada Cada loucura manchada Debatida e mastigada Perdida e desanimada De ardida lágrima salgada Destino de metade engraçada Que zomba com a face marcada E a mantém conformada À felicidade de tristeza carimbada Gustavo Afonso

A previsível surpresa

A caixa de surpresas do destino não para de aprontar Novidades tornam-se sombrias E a gangorra de chão Brinca de escurecer o dia Manhãs descoloridas Em que não se via um facho de luz Dias em que o horizonte se perdia Dias cinzas, sem azuis Naqueles tais dias Que duram semanas, meses, anos Os minutos do teu sorriso São os que sigo cultivando Na memória falha Que rateia e desacredita A mente ainda capta Momentos em que a alma respira Mas por mais que me agarre A encantos e olhares São lembranças perecíveis Piscam, zombam e passam E tudo continua Conforme hediondos planos  Uma eterna luta Por minutos em anos Gustavo Afonso

No centenário do poeta, meu Rio completa 100 anos

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Poetinha, poetinha, berço de tanta inspiração Salve Vinicius de Moraes, corpo e alma de uma  canção Vinicius dos versos, do Tom e o violão Vinicius das peles femininas, douradas pelo verão No amor, rabiscou carinhos Com palavras, desenhou caminhos Como tratar e compreender a mulher Como amá-la permitindo sê-la o que é Ah, poeta, sinto saudade do seu tempo Da Ipanema que nunca vi Da Bossa de perto que nunca ouvi Na nostalgia de tua obra, sinto saudade do que não vivi Vinicius de Moraes, a vida é uma passagem P ara quem marca e fica E  nos ensina o que é a vida E em um dia iluminado No florescer de mais uma primavera 100 anos de Vinicius 100 anos de mais Rio Gustavo Afonso