Temporal

Nem endereço
Nem telefone
Muito menos o teu nome
Na incerteza do mistério
Na beleza de traço dócil
De feição reta, séria
Inundado, mergulhado
Em olhar azul caribenho
De mar e amar sereno
Atraente, envolvente

Nem voz
Nem cheiro
Muito menos o teu beijo
De aquarela em harmonia
Do suave caimento
De seda ao leve, breve vento
Em sintonia com a boca
De tentação mais louca

Teu olhar, ah teu olhar
Não me cansa lembrar, recitar
Em contraste com cobertura dourada
Insana, decente, iluminada

Do viver de alguns segundos
Construo sonhos, fantasias e mundos
Irrealidades de presença sem aura
De calmaria, entardecida, ensolarada
A brisa temporal de milésimos
Há de moldar uma onda
Com o azul mais oceânico já visto

Nem sombra
Nem tom
Nem cor
Nem calor
Nem luz
Nem sofrimento
Muito menos teu sentimento


Gustavo Afonso

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